CHATGPT TCC

Como Fazer um TCC com IA: O Método que Está Mudando a Forma de Escrever Artigos Científicos

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A Inquirição Forense do TCC

Seja bem-vindo à Delegacia Acadêmica. Como seu Professor Investigativo e Arquiteto de Aprendizagem, não estou aqui para lhe ensinar a “escrever um texto“, mas sim para capacitá-lo a conduzir uma investigação irrebatível.

No mundo da ciência, assim como em uma investigação criminal, nada é por acaso. Cada parágrafo é um depoimento e cada capítulo é um relatório de evidências coletadas no campo.

O TCC não nasce da inspiração — nasce do rigor lógico e da organização estratégica das evidências. Mesmo na era da Inteligência Artificial, a estrutura continua sendo humana: problema bem definido, justificativa consistente e objetivos conectados.

Antes de usar IA no seu TCC, entenda o que sustenta uma pesquisa de verdade.

MONOGRAFIS

A IA não cria o seu caso; ela auxilia na análise, na organização das informações e na otimização da escrita. Se você não tem provas, não tem caso. E se não sabe estruturar as provas, nem a melhor IA resolve.

Vamos abrir o inquérito com método, usando a tecnologia como assistente e não como autora da investigação.

1. O Coração do TCC: A Justificativa como Motor de Criação

Esqueça a ideia de que a justificativa é apenas um texto burocrático. Na arquitetura forense, ela é o orçamento da investigação. Se você não apresenta evidências sólidas para o seu “Comissário” (a Banca Examinadora). Assim, o inquérito é arquivado por falta de relevância. A justificativa gera o desenvolvimento; ela é a prova de que o problema merece ser investigado.

Abaixo, veja a hierarquia lógica que sustenta o seu caso:

  • Problema (O Crime: O que precisa de solução?)
    • Objetivo Geral (A Missão: Onde pretendemos chegar com a investigação?)
      • Justificativa (As Evidências: Por que este caso merece orçamento e tempo?)
        • Desenvolvimento (A Investigação: O exame detalhado de cada prova coletada.)

Insight do Arquiteto: Se o seu objetivo é “Investigar as contribuições da IA na saúde”, você deve focar em substantivos que apontam evidências, como: Contribuições.

Quais são elas?

  • Aumento da precisão?
  • Agilidade?

Cada “substantivo-evidência” encontrado na justificativa será o DNA do seu texto. Sem evidência, não há crime, e sem crime, não há TCC.

2. A Lógica Policial: Do Inquérito às Evidências

Um detetive não invade uma cena do crime sem um mandado, por isso, ele precisa do inquérito.

O seu TCC é a abertura do inquérito. Você precisa de fatores de justificação para sustentar sua tese antes de redigir qualquer conclusão.

Até o final do Império no Brasil, havia uma enorme confusão jurídica: a mesma autoridade que investigava o crime era a que julgava (o juiz). Isso acabava com a imparcialidade. Foi apenas com a Lei nº 261, de 3 de dezembro de 1841, que o Inquérito Policial foi oficialmente criado no Brasil, separando as funções: a polícia passou a investigar (inquirir) e o juiz a julgar.

Uma curiosidade legal: Essa lei foi assinada pela Princesa Isabel, que atuava como Regente. A curiosidade é que ela assinou a lei que criou o Inquérito Policial apenas oito dias antes de assinar uma das leis mais famosas da nossa história: a Lei do Ventre Livre (28 de setembro de 1871).

Vamos continuar…

Comparativo: Processo Investigativo vs. Processo Acadêmico

Processo Investigativo TCC, Moografia, Artigo Científico, Dissertação ou Tese
Abertura de Inquérito Definição do Problema e Objetivo Geral
Levantamento de Evidências Justificativa (Fatores Motivacionais, Lacunas, Tendências)
Ordem de Serviço (Tarefa) Objetivos Específicos
Relatório do Investigador Capítulos de Desenvolvimento

As 4 Evidências Fundamentais do Caso

Para que seu inquérito não seja contestado, você deve identificar:

  1. Motivação: O que impulsiona a necessidade desta investigação agora?
  2. Lacunas: O que a “polícia” (a literatura atual) ainda não conseguiu explicar?
  3. Tendências: Para onde os fatos estão apontando no futuro desta área?
  4. Importância (Utilidade): Qual o benefício real que a solução deste caso trará para a sociedade ou para a ciência?

Exemplo de Motivação:
Se o tema é IA na saúde, a motivação pode ser o crescimento acelerado do uso de algoritmos diagnósticos nos últimos anos.

👉 Motivação sempre tem relação com o “agora”.

Exemplo de Lacunas:
Existem estudos sobre IA na saúde, mas poucos analisam sua eficácia em diagnósticos precoces em hospitais públicos brasileiros.

👉 Sem lacuna, não há justificativa forte.

Exemplo de Tendências:
A tendência pode ser a ampliação do uso de IA para decisões clínicas automatizadas.

👉 Tendência mostra que seu tema não é passageiro.

Exemplo sobre Importância:
Se comprovada a eficácia da IA no diagnóstico precoce, pode haver redução de mortalidade e otimização de recursos hospitalares.

👉 Importância é o impacto concreto do seu estudo.

3. O Mapa de Ação: Transformando Evidências em Objetivos Específicos

Na cena do crime, você encontra um substantivo (ex: uma arma, um rastro).

Para o investigador, esse substantivo deve se tornar uma ação. Se a sua evidência (substantivo) é a “Precisão Diagnóstica“, sua tarefa (objetivo) é investigar essa precisão. É aqui que o planejamento se torna cirúrgico.

No século XIX, os astrônomos enfrentavam um problema: o planeta Urano não se movia no espaço como as leis da física de Isaac Newton previam. Ele apresentava uma leve alteração em sua órbita. Essa anomalia era a evidência.

Em vez de considerar que Newton estava errado, o matemático francês Urbain Le Verrier aproveitou essa evidência e a transformou em um objetivo específico.

Ele calculou que deveria existir um planeta invisível puxando Urano com sua gravidade. Determinou as coordenadas exatas no céu e enviou uma carta ao Observatório de Berlim com um comando claro: “apontem o telescópio para este ponto exato e chequem“. Consequentemente, na mesma noite, o planeta Netuno foi descoberto a menos de 1 grau de onde a matemática previu.

Checklist: Da Evidência à Tarefa Investigativa

  • [ ] Identifique o Substantivo (Evidência): Localize na sua justificativa os pontos de valor (Contribuições, Limitações, Eficácia, Impactos).
  • [ ] Aplique o Verbo de Ação: Converta o substantivo em uma missão (Ex: Verificar, Analisar, Identificar).
  • [ ] Formule o Objetivo Específico: Junte o verbo à evidência (Ex: “Analisar a eficácia da IA no diagnóstico precoce”).

Todo objetivo específico deve ser o “filho legítimo” de uma evidência citada na justificativa.

Se você tentar investigar algo que não justificou previamente, estará agindo sem autorização judicial — e seu texto perderá a coesão.

4. Arquitetura do Sumário: O Relatório como Capítulo

O sumário é o índice dos seus relatórios de investigação.

Você não “inventa” títulos de capítulos; você apenas reporta o resultado das tarefas que se propôs a cumprir nos objetivos específicos. Isso elimina o “branco” na escrita, pois você não está criando, está relatando.

No início do século XVI, Leonardo da Vinci tinha um objetivo específico muito claro: ele queria entender e desenhar perfeitamente o sorriso humano (o que culminaria na Mona Lisa).

Para cumprir esse único objetivo, Da Vinci não fez apenas um estudo. Ele foi aos hospitais e necrotérios e produziu dezenas de cadernos. Ele fez um “relatório” (caderno/capítulo) apenas sobre os ossos da mandíbula; depois, fez um relatório separado apenas sobre os músculos dos lábios; e um terceiro relatório focado nos nervos que conectam o rosto ao cérebro. Foram vários cadernos distintos para responder a um único objetivo.

Quando você define um objetivo específico, ele pode ser complexo demais para um texto só. Pelo mesmo motivo que Da Vinci precisou de relatórios diferentes para ossos, músculos e nervos para entender o sorriso, você pode precisar de dois ou três capítulos diferentes para relatar a checagem de um único objetivo. O capítulo não é uma divisão arbitrária de páginas, é o relatório de uma etapa da investigação.

Linhagem Lógica da Investigação:

  • Evidência encontrada: “Aumento da precisão diagnóstica através de algoritmos.”
  • Objetivo Específico (Tarefa): “Verificar como a IA aumenta a precisão diagnóstica.”
  • Título do Capítulo (Relatório): “A Inteligência Artificial como Ferramenta de Otimização da Precisão Diagnóstica.”

Ao seguir esta linhagem, você economiza tempo de leitura e pesquisa. Você só lerá autores que ajudem a fechar o relatório daquela tarefa específica. Se não contribui para o objetivo, é ruído.

5. A Escrita Fractal e a Técnica TSAC

Em 1967, o matemático Benoit Mandelbrot fez uma pergunta aparentemente simples:

“Qual é o comprimento da costa da Grã-Bretanha?”

A resposta o chocou: depende da régua que você usa.

Se você medir do espaço, tem um tamanho. Se medir caminhando pela praia e contornando cada pedra, o tamanho é quase infinito.

Mandelbrot percebeu que a forma das grandes baías se repetia no formato das pequenas penínsulas, que se repetia no formato das rochas. Ele cunhou o termo Fractal para descrever isso: não importa o quanto você dê “zoom” na imagem, a estrutura matemática da ponta da pedra é exatamente igual à estrutura do continente inteiro.

Um texto acadêmico é um fractal perfeito. Se você der um ‘zoom out’ e olhar o TCC inteiro, ele tem uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Se você der um ‘zoom in’ e olhar apenas um parágrafo, a estrutura é exatamente a mesma. O parágrafo não é um pedaço de texto aleatório; ele é o continente inteiro em miniatura.

E a régua que usamos para garantir que essa forma seja perfeita do início ao fim é a técnica TSAC.

A ciência é fractal: a lógica do todo se repete na parte.

A estrutura que organiza o TCC inteiro é a mesma que organiza um capítulo e a mesma que organiza um parágrafo. Para garantir a conectividade absoluta, utilizamos a técnica TSAC.

  1. Tópico (Tese): A afirmação central do parágrafo ou o objetivo do capítulo.
  2. Sustentação: A prova material (citações, dados de autores, fatos).
  3. Argumentação: É a sua análise conectando a Sustentação ao Tópico.
  4. Conclusão: O fechamento daquela peça de evidência.

Quando você compreende essa lógica, a escrita deixa de ser tentativa e erro e passa a ser execução estruturada. Cada parágrafo cumpre uma função precisa dentro do raciocínio global do trabalho, evitando repetições, opiniões soltas ou trechos desconectados.

A técnica TSAC garante que nenhuma afirmação fique sem prova e que nenhuma citação apareça sem análise. O resultado é um texto coeso, progressivo e tecnicamente defensável, no qual a argumentação conduz o leitor de evidência em evidência até uma conclusão inevitável.

A Estrutura Fractal no Papel

Um capítulo é uma sucessão de ciclos de prova até o veredito final:

Etapa

Sigla

Descrição
Abertura T Tópico Frasal (Apresentação da Tese do parágrafo)
Corpo de Delito (S + A)ⁿ Repetição de Sustentação + Argumentação para cada prova
Veredito C Conclusão do raciocínio e transição

Imagine o parágrafo como uma acusação: “O garoto quebrou a janela” (Tese/T). A pedra no chão é a Sustentação (S).

Mas a pedra sozinha não prova nada. Sua Argumentação (A) é o que conecta a trajetória da pedra, o ângulo do vidro quebrado e a posição do garoto. Sem a Argumentação, a Sustentação é apenas um dado solto. A ciência é a arte de conectar a pedra à janela quebrada.

6. A Ciência da Conectividade

A aprovação na qualificação não é um sorteio; é o reconhecimento de uma estrutura sem fissuras. Quando cada capítulo responde a um objetivo, e cada objetivo nasce de uma evidência, o trabalho se torna blindado contra críticas.

💡 Dicas de Ouro do Arquiteto Acadêmico

Regra de Ouro Descrição Investigativa
IA como Assistente, não Detetive Use a IA para organizar a estrutura lógica (TSAC), nunca para inventar o caso por você.
Filtro de Relevância Se um parágrafo não tem uma Sustentação (S) ou uma Argumentação (A), ele é apenas opinião e deve ser descartado.
Economia Processual Sabendo exatamente qual evidência está investigando, você reduz o volume de leitura em até 70%, focando apenas no que é pertinente ao “relatório” do capítulo.

Domine a estrutura, apresente as evidências e feche o seu caso com a autoridade de quem não apenas escreveu, mas investigou e provou sua tese. Bom trabalho, investigador.

Se você utilizar a Inteligência Artificial com base na estrutura ensinada aqui no blog, conectando problema, justificativa, objetivos e capítulos de forma lógica, dificilmente ficará “enrolado” diante da banca avaliadora.

Isso porque suas respostas não serão improvisadas, mas fundamentadas em uma arquitetura clara de evidências. Certamente, a IA passa a funcionar como assistente de organização e refinamento textual, enquanto o raciocínio científico permanece sob seu controle.

Quando cada capítulo nasce de um objetivo, e cada objetivo nasce de uma justificativa bem construída. Uma vez que, sua defesa deixa de ser defensiva e passa a ser demonstrativa: você não apenas escreveu, você estruturou e provou.

Como fazer TCC pelo chatGPT sem plágio?

Quando um estudante vai até o chatGPT e solicita que escreva um parágrafo ou capítulo do seu TCC, a IA faz o seu melhor e escreve algo muito bem feito. Visto que a leitura é fluída, sem erros e precisão como um profissional. Se você solicitar uma análise de plágio cairá tanto a originalidade, mas também cairá em plágio devido as diversas fontes que a IA se baseou para escrever aquele trecho.

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MONOGRAFIS

Se você tem vasto conhecimento sobre o conteúdo e referenciar o trecho, incluindo que sua instituição não tenha políticas de proibição de IA, então é provável que não haja problemas. Particularmente, embora o texto pareça convincente e bonito ele está longe de ser original ou algo na qual você possa se orgulhar que fez, mas se isso não for um problema, então provavelmente será aceito.

Referências:

BRASIL. Lei nº 261, de 3 de dezembro de 1841. Reforma o Código de Processo Criminal de Primeira Instância do Império do Brasil. Rio de Janeiro, 3 dez. 1841. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leimp/1824-1899/lei-261-3-dezembro-1841-561116-publicacaooriginal-84515-pl.html. Acesso em: 24 fev. 2026.

BRASIL. Lei nº 2.040, de 28 de setembro de 1871. Declara livres os filhos de mulheres escravas nascidos depois da data desta lei (Lei do Ventre Livre). Rio de Janeiro, 28 set. 1871. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim2040.htm. Acesso em: 24 fev. 2026.

CALMON, Pedro. História de D. Isabel: Princesa Regente e Redentora. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.

CONRADO, Marcelo. Origens do inquérito policial no Brasil Império. Revista de História do Direito, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 1-20, 2017.

GROSSER, Morton. The discovery of Neptune. Cambridge: Harvard University Press, 1962.

LE VERDIER, Urbain. Recherches sur les mouvements d’Uranus. Paris: Académie des Sciences, 1846.

NEWTON, Isaac. Philosophiæ naturalis principia mathematica. Londres: Jussu Societatis Regiae ac Typis Josephi Streater, 1687.

AMERICAN MUSEUM OF NATURAL HISTORY. The discovery of Neptune. Nova York, 2023. Disponível em: https://www.amnh.org/exhibitions/permanent/the-universe/neptune/the-discovery-of-neptune. Acesso em: 24 fev. 2026.

DA VINCI, Leonardo. Notebooks of Leonardo da Vinci. Tradução de Jean Paul Richter. Nova York: Dover Publications, 1970. v. 1-2.

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